sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009




Mais uma semana que passou.

Na turma de Geriatria EFA4, continuámos os trabalhos em curso. Alguns alunos ainda não terminaram a pesquisa que lhes foi pedida sobre um dos temas abordados na trilogia "Bleu, Blanc, Rouge".
Outros já acabaram e colocá-los-ei, aqui.
Versaram os temas da Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Estão a gostar! Até nos esquecemos da hora de saída, 23h.
Como os ritmos de trabalho são diferentes, tenho tentado uma "pedagogia diferenciada"... Tenho ajudado os que já terminaram a avançarem nos trabalhos individuais, com temas escolhidos por eles.
Vou corrigindo as primeiras versões, com cada um sentado ao meu lado, para perceberem o porquê das alterações e correcções que faço e assim, melhorarem nos próximos projectos a desenvolver.
Prefiro trabalhos menos "ambiciosos" mas mais pessoais e sem enfeites.
São simples mas elaborados a partir de um fio condutor, desenvolvido nas aulas e que lhes dá coerência.
Estamos, portanto, a trabalhar em várias frentes.
Os trabalhos que aqui vou colocando são uma forma de manter actualizado o nosso trabalho e de o dar a conhecer a todos os alunos da turma.
Não seguem uma linha cronológica porque só recentemente aprendi a técnica de colocar documentos no blog.
Alguns trabalhos são antigos.
Paciência...



Lucinda e Teresa -EFA4

Igualdade - Isabel e Zé




quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Na escola



Aqui, tudo anda mais lentamente.
Mas, uma vez que decidi ir fazendo uma síntese das minhas aulas da noite, é isso que vou fazer.
para minha própria orientação.
Já que ando bastante desorientada...

Resumindo:

Na turma EFA2 do 1º ano, área de auxiliar de acção educativa, só temos 1 hora semanal.
Tenho como ponto de partida, sempre que possível, filmes que foquem vivências de crianças em situações de socialização, em ambiente ou não de aprendizagem.
A passagem dos filmes tem sempre um guião de "leitura".
Com base nesses guiões, debatem-se perspectivas de aprendizagem; debatem-se boas e menos boas condutas por parte dos educadores responsáveis, debatem-se boas e menos boas práticas; debatem-se situações concretas de relacionamento entre adulto e criança...
Lê-se muito. Conversa-se muito. Escreve-se.
Vamos treinando a Língua escrita e oral, com sínteses escritas nos cadernos diários.
Não fosse eu, antes de mais, professora de Português. Não soubesse eu que a correcção da leitura pausada e fluida ou uma conversa simples mas clara estão directamente relacionadas com a compreensão e organização mental das ideias.
Vimos os seguintes filmes: "Os Coristas", A vida é bela" e "Primavera, Verão, Outono, Inverno e...Primavera".
São filmes com vivências de crianças muito diferentes e é isso que se explora nas aulas.
Os alunos gostaram dos filmes. trocaram opiniões.
Elaborou-se uma grelha de comparação entre os vários contextos em que a ou as crianças se encontravam e a forma como a aprendizagem, mais ou menos formal, se processava.
Demos início a um novo tópico mais árido (mas necessário, dizem-me!).
O de conhecer a legislação por que se pauta o funcionamento do ensino pré-escolar.
Bonito, nas intenções! Já que não há escolas públicas que cheguem para todas as crianças e muitas têm que recorrer, se podem, às escolas privadas.
Enfim...
Nota: Nesta turma, só há um rapaz, o TIAGO. As mulheres estão em maioria.




Na turma EFA4, do 2º ano, área de Geriatria, na aula de Cidadania, temos feito coisas muito interessantes.
Depois dos trabalhos sobre Democracia, o antes e o depois do25 de Abril, regimes políticos, eleições e método de Hondt... passámos para questões mais abrangentes e universais. E mais cativantes!!
Passei a trilogia "Bleu, Blanc, Rouge" de Krzysztof Kieslowski.
Versam, respectivamente, a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade.
Os alunos gostaram muito e começam a saber ver filmes não comerciais e diferentes do paradigma maniqueíta de Hollywood - os bons e bonitos, os maus e feios, o final feliz, o ser rico como objectivo de vida, etc...
Também contactaram com uma língua diferente - o francês.
Houve troca de opiniões sobre cada um dos filmes. Não apenas sobre a mensagem que cada um transmite, mas também sobre a música (banda sonora), a luz, as imagens, a forma de filmar, ...
Estão, agora, a terminar trabalhos de pesquisa sobre os conceitos desses três valores universais.
Trabalham em pequenos grupos e ajudo-os, individualmente.
Os alunos usam o correio electrónico como forma de me enviarem os trabalhos produzidos.
Os trabalhos são sempre corrigidos, em formato electrónico, e com cada aluno ao meu lado.
Explico-lhes, assim, o porquê de certas alterações ao trabalho, inicialmente, apresentado.
E não gastamos papel nem temos que recorrer a gatafunhos, às vezes, pouco compreensíveis.
Só no fim deste processo é que se imprimem os trabalhos, na sua forma definitiva, para arquivarem no dossier.
Andam entusiasmados com esta forma de trabalharmos e esse entusiasmo é gratificante para mim.
Agora, estamos na fase de correcção de outros trabalhos individuais e com temas escolhidos por eles.
Foram fazendo investigações, fora do horário lectivo.
Não se inserem nas orientações formais e programáticas.
São um pequeno desvio, por nossa conta e risco, para temáticas actuais e frequentes na imprensa ou em programas de televisão.
Escolheram abordar as seguintes questões: a nova lei do divórcio, a eutanásia, o voluntariado, direitos dos deficientes, a homossexualidade, a violência doméstica.
Não interferi na escolha.
Alguns trabalhos estão a ser transferidos para Power Point.
Nota: Nesta turma, só há um cavalheiro, o ALBERTO. As mulheres estão em maioria.



Quanto à Turma EFA7, já minha conhecida do ano passado, estamos a chegar às 200 aulas e a terminar.
Construiram dossiers de contadores de histórias.
Vimos o filme "Pequenas flores vermelhas" - o dia a dia numa escola/creche internato na China.
Muito interessante, tanto pelas regras diárias estabelecidas como pela presença de um rapazinho que não consegue "inserir-se" naquele regime.
As pequenas flores vermelhas são isso mesmo - flores vermelhas de papel. Os pequenitos recebem-nas sempre que cumpriram correctamente todas as actividades previstas. Uma flor por cada coisa bem feita, ao longo de toda a semana. Ex: saber vestir-se sozinho, não fazer xixi na cama,...
Quando falham, a flor-lhes é retirada.
Mais ...
Analisaram-se documentos e materiais de apoio sobre os objectivos da educação pré-escolar e discutiu-se o tipo de actividades ou estratégias a levar a cabo, para dar cumprimento a cada objectivo "ministerial".
Elaboraram-se regras de bom senso na relação com crianças, a partir de uma grande diversidade de situações expostas e retiradas de exemplos reais - como agir e como não agir.
É esse o trabalho que os alunos estão, neste momento, a realizar em grupo.
Têm alguma dificuldade em trabalhar em grupo e estão a esforçar-se por levar a bom termo essa tarefa, por insistência minha e porque considero que trabalhar em equipa é fundamental, nos dias de hoje.
Os miúdos de dia já vão estando habituados a este tipo de trabalho. Para os adultos é mais difícil.
Não é por ser difícil e haver alguma rejeição que não se faz...
Com jeito, faz-se.
Autorizaram-me a colocar aqui as fotografias que lhes tirei, num dia mais leve e de boa disposição.

Nota: Nesta turma, só há um rapaz, o RUBEN. As mulheres estão em maioria.





NOTA: As mulheres estão francamente em maioria na Educação e Formação de Adultos...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Vou devagar



Quinta à noite.
E termina mais uma semana de aulas.
E respiro mais fundo.
.....
A escola deixou de ser a minha segunda pele.
Sinto que o meu tempo, ali, terminou...
Nem eu conheço toda a gente; nem toda a toda me conhece.
Como acontecia. Como sempre aconteceu...
Foram dois anos de cegueira face à escola.
Ia lá; trabalhei; cumpria o meu dever...não faltei quase nunca.
Arrastava-me para lá...apenas.
Havia o David.
Só o David contava.
Foram 34 anos de entusiasmo, de alegria mesmo, de investimento naquela minha gente pequena.
Sempre tive o condão de me "apaixonar" pelos meus alunos.
E recebia a dobrar.
Foi boa, muito boa, a minha vida de professora.
Agora, gosto dos meus alunos. São quem dá algum sentido à minha vida profissional.
Sinto-me acarinhada por eles.
Sinto-me acarinhada pelos meus colegas.
A Clementina, coordenadora dos cursos da noite, tem paciência comigo... e com algumas ausências da minha cabeça.
Às vezes, estou longe, longe, nas reuniões de 5ª feira.
Às vezes, assalta-me uma vontade enorme de chorar.
Que vida é esta, que, nem sempre reconheço?
O fogo apagou-se.



Não fiz o que me impus.
Falta de ânimo... de motivação?
Resumo, hoje, o resto das aulas da semana.
Na 4ª feira, dei aulas das 19h às 23h, a duas turmas - EFA4 e EFA7.
Na 5ª, hoje, apenas à EFA4.



Na EFA4 - módulo CIDADANIA - fizeram um teste.
Foi um teste sui generis. Pedira ao alunos, na última aula, que elaborassem, eles próprios (anonimamente), seis perguntas pertinentes e significativas, sobre a matéria abordada e trabalhada nas aulas - Totalitarismo vs Democracia; Portugal antes e depois do 25 de Abril; "Números de Pobreza" no mundo; conceito de Cidadania e Constituição; União Europeia
Eu faria a selecção das perguntas a colocar no teste, para que não houvesse repetições.
Teste com possibilidade de consulta de todos os apontamentos e textos distribuídos.
Expliquei-lhes que seriam eles, colectivamente, a corrigir o teste.
Também lhes pedi que estabelecessem os critérios de correcção que eu devia seguir.
Claro que lhes expliquei ao que me referia, concretamente, quando falava de critérios.
Acordámos 3 critérios.
1º - Certo ou errado quanto ao conteúdo.
2º - Resposta completa ou incompleta.
3º - Correcção sintáctica e ortográfica.
São os que vou seguir.

Hoje, fizemos, então, a correcção colectiva. Já tinham ido verificar qual a resposta correcta.
Foi só escrever, correctamente, a resposta no quadro.
Gostaram.
Disseram-me que tinham apreciado este trabalho, porque não lhes dava a "papinha" feita e os tinha obrigado a pensar, pesquisar e reflectir.
Gostam de desafios.
Também gostei de inovar.
O teste foi apenas um pretexto...para consolidarem o que trabalhámos.
São adultos que trabalham todo o dia e vêm, à noite, com frio e antes de estarem com filhos e família, para a escola fria e desconfortável, porque querem saber mais.
Merecem toda a minha consideração.
Para amenizar o desconforto deste Inverno frio, transporto comigo numa saca a tira-colo, de sala para sala, um aquecedor/ventilador.
Já há seguidores desta minha iniciativa. É que sou muito, muito friorenta.
A EFA4 é uma turma muito dinâmica. Muito heterogénea. Muito interessada por tudo o que lhes possa dizer ou ensinar.
São pessoas alegres e felizes.

Na próxima semana, vamos planificar uma nova temática.
Meio ambiente. Direitos do consumidor. Carta da Terra e sua sustentabilidade. Será decidido em conjunto.
Mais tarde, a partir de Fevereiro, teremos que nos debruçar sobre a questão - Envelhecer com qualidade.
São do curso de Geriatria. E este é o tema de vida delas; espera-se da minha disciplina alguma contribuição.
Deram-me total liberdade na forma como colaborar.
O trabalho final está a cargo da mediadora.
Aceito todas as colaborações e sugestões dos meus amigos de blog.
Até aceito candidatos a uma palestra acessível sobre o tema.
Seria interessante.
Talvez a minha irmã...



Quanto à turma EFA7, na aula de ontem, continuámos a contar algumas histórias.
Esta actividade foi pretexto para falarmos da entoação, dos gestos, da expressão facial, do entusiasmo.
Tudo condimentos para que cada história surta efeito e cative os pequenitos.
Foi também pretexto para analisarmos alguns documentos do ministério, no que diz respeito aos objectivos do ensino pré-escolar.
Neste "capítulo", foi-me muito útil a ajuda vinda de Cascais, da Manuela Baptista, quando me mandou alguns sites. Simples mas eficaz.
São engraçados os alunos desta turma.
Colocam as carteiras encostadinhas à volta da secretária da professora.
E estamos bem, assim - eu, a Felismina (auxiliar numa instituição de apoio a autistas), a Rosa (cozinheira num restaurante), a jovem Diana (com profissão - filha), o Ruben (empregado numa empresa de painéis de aquecimento solar e jovem namorado da jovem Diana), a Lurdes (empregada de hotelaria no restaurante da FEUP), a Maria da Luz (mãe, avó, jovem de espírito, amante de poesia).
Desistiram alguns do ano passado para este porque arranjaram emprego.
Essa é a prioridade e eu compreendo.
Somos pouquinhos...
Mas que interessa a quantidade?

Um destes dias, teremos que nos debruçar sobre a importância da educação parental no comportamento dos filhos.
É o tema de vida desta turma.
Tal como na EFA7, deram-me liberdade na escolha da minha colaboração.
Também, aqui, mais ajudas serão bem-vindas.
Sites, fotografias, palestras...
E aqui me quedo.
Esta noite, encerro a semana.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Vou regressar à escola, depois de uma ausência de 15 dias.
Não podia continuar como andava - a chorar dentro da sala de aula, em frente aos alunos; a chorar na portaria...
Ninguém me podia dizer nada.
Estava demasiado sensível e nem o ter que dar aulas me impedia de mostrar a tristeza molhada de lágrimas.
Mas tenho que recomeçar. Os alunos, os meus colegas, a Clementina merecem que me preocupe com eles; sempre foram muito delicados comigo e gostam de mim.
O esforço que vou fazer vai passar por coisas simples, aqui, neste blog.
Tentarei manter em dia os assuntos a tratar. Não serão sumários. Serão as temáticas a abordar em cada aula.
Assim, hoje, darei aulas das 19h às 23h.
As duas turmas são do Curso de Auxiliar de Acção Educativa, em creches.
Tenho a EFA7 que está no segundo ano. O módulo que tenho a meu cargo é o de Processo de Socialização da Criança - quotidiano.
Antes de ter faltado, estávamos a elaborar um dossiê pessoal de "Contador de Histórias".
Cada dossiê integra um conto infantil, uma fábula, uma canção de embalar, uma canção infantil, trava-línguas, um poema sobre crianças e uma lenga-lenga.
Os alunos pesquisaram os textos na net; leram-mos e só depois o copiaram para um documento Word. Ilustraram os textos com imagens recolhidas no Google Images.
Hoje, vamos ler os textos na aula e identificar os assuntos ou ilacções a retirar de cada um.

A turma EFA2 frequenta o primeiro ano.
Os alunos são interessados e gostam de participar na aula.
No início do ano, tracei o retrato da turma a partir de conversas que fomos tendo.



Passei um filme de que gosto muito "Os Coristas". Relata o quotidiano de uma escola "No fundo do pântano" que é frequentada por crianças problemáticas, abandonadas pela família, agressivas, pouco sociáveis...
Os castigos corporais são o dia a dia deste internato, até à chegada de um novo "vigilante".
E tudo muda.
A música surge como factor indutor de socialização.
O filme foi o ponto de partida para um debate sobre as diversas "formas de estar" e trabalhar com crianças e jovens, em ambiente escolar.
As conclusões foram sendo registadas no quadro.
Foi feita uma síntese de tudo o que aprendeu de novo.
Hoje, vamos ver um novo filme "Querido Frankie".
Desta vez, o protagonista é um jovem rapazinho com uma deficiência auditiva que vive com a mãe e a avó...e as cartas de um pai imaginário que anda embarcado pelo mundo.
É um filme bonito que vai mostrar aos alunos que a ternura, o companheirismo e o estar atento a... de um amigo significam muito mais do que laços de sangue de um pai violento e agressivo
E que há variados tipos de família.

Vamos ver se gostam.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Em construção


Uma contribuição do Jaime, sempre oportuno.
A escola está em obras...


ESCREVO PARA A ESCOLA E PARA UM FILHO

Meu filho, a Escola morreu ou está para nascer ...!?

Nela aprendia-se a ler, a escrever, o cálculo mental e uma porção de noções que nos exercitavam a memória e nos levavam a papaguear rios e linhas férreas, datas históricas sem fim, lugares e lugarejos desproporcionados num encaixe a fazer lembrar concursos de televisão ditos de cultura geral mas onde esta não entra, desfazados quer da escola quer da realidade, balofos de uma sabedoria de cordel onde não entra o critério.

Depois, a escola virou pretexto, estratégias, campo de batalha ou repartição tributária a afogar-se em papelada com destino certo, viveiro de desobidiências e deserções, enxovalho canalha e sala de exames, avaliações ininterruptas a eito e talhe de foice, sem professores nem alunos.

A escola poderia, poderá, no entanto, vir a ser outra coisa ...

Vir a ser uma Escola!

Lugar onde se olhe para um desenho e nele se veja mesmo e sem receio o que nele está e tanto medo se tem em ver que está;

Lugar onde se olhe ao que se escreve e que em vez de nos retermos obstinadamente na ortografia ou na correcção sintática se vá mais longe, se leia alto e se aperceba nas oralidades o que lá está sem temer o que lá esteja;

Lugar onde se conte, uma história ou uma operação matemática e que nos escondidos delas se leia tudo o que nelas não se vê;

Lugar onde um computador, cumprindo a sua função simplificadora de processos, se ganhe tempo para o demais, para o jogo ou para a brincadeira, para o desporto são e não afunilado no futebol, para o recreio e para o lazer;

Dando lugar à História, à experimentação científica e ao espírito interrogativo e inconformado, às humanidades, à Cultura e às Artes;

Lugar onde se aprenda o que é uma atitude musical ou ecológica onde razão e sentir se harmonizem, onde se cante e se vibre interiormente pela simples fruição musical;

Lugar à interacção no encadeado sempre imprevisto das dinâmicas de um grupo e onde se reforce a importância do exercício da cidadania;

Lugar às Causas e à importância do serviço, da generosidade, da entrega e da solidariedade;

Lugar e antes de mais ao indivíduo centro da sua razão de ser e que não é um número, com o qual se aprende como ensina também;

Não se ensina, aliás, sem estar disposto e sempre a aprender.

Lugar de Pedagogia!

Jaime Latino Ferreira
Estoril, 18 de Novembro de 2008

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Devagar



Aqui, ainda me estranho.
É a outra face de mim que continua oculta.
Nem a escola permite que seja de outra forma.
O que vejo, quando atravesso o portão e passo pelos corredores e recreios e sala de professores?
Caras tristes e cansadas dos colegas e amigas.
Papéis e mais papéis em cima das mesas.
Esclarecimentos e mais normas e mais abaixo-assinados e mais legislação afixada nas paredes.
Aulas de substituição e mais aulas de substituição.
Professoras que controlam a bicha dos alunos para a cantina!
Agitação mais agitação.
Insatisfação e insatisfação.
E cansaço.
Não vejo o entusiasmo de outrora.
Nem eu o tenho.
Invade-me uma sensação de enorme confusão e deixo-me ficar, a observar sem perceber.
É a minha componente não lectiva que me leva à escola, durante o dia.
Onde me sinto, relativamente, inútil.
À noite, com os adultos é diferente.
Há mais calma, mais vontade de aprender, mais solidariedade.
Mas sei que perdi o comboio e, dificilmente, o voltarei a apanhar.



Apontamento de Viagem


As janelas reflectem o fogo do poente
e flutua uma luz cínzea que chegou do mar.
Quer ficar dentro de mim o dia que agoniza
como se eu, ao fitá-lo, o pudesse salvar.

E quem há que me olhe e que possa salvar-me?
A luz tornou-se negra e apagou-se o mar.

Francisco Brines

sábado, 1 de novembro de 2008



Sim, Manuela Baptista

Os gregos falam Inglês.
Os gregos falam Francês.
Até falam castelhano e entendem qualquer coisinha de Português.
São bons comerciantes.
Lembram-se, sempre, que nos ganharam no penúltimo campeonato da Europa (será?)
São simpáticos.
A hospitalidade era uma das virtudes consagradas na PAIDEIA, ou seja, nas normas clássicas que orientavam a postura dos gregos na sua conduta de vida.
Também na Ilíada e Odisseia, essa virtude é, constantemente, realçada.
Deve estar inculcado na cultura deles.
E, de facto, os gregos são um povo hospitaleiro.
Tão hospitaleiro que, nos mercados ou lojinhas de rua, convidam os potenciais compradores a entrarem e acabarem o cigarro lá dentro!!!
Logo fornecem um cinzeiro e até um cigarro, se for preciso.
São agradáveis.
E o mar, a cor do mar...
Nesta fotografia, o que se vê são pedras no fundo da água transparente.
A proximidade dos deuses sente-se e quase vemos Poseidon a sair das águas, tal como o meu rapazinho David dizia ....