
Quinta à noite.
E termina mais uma semana de aulas.
E respiro mais fundo.
.....
A escola deixou de ser a minha segunda pele.
Sinto que o meu tempo, ali, terminou...
Nem eu conheço toda a gente; nem toda a toda me conhece.
Como acontecia. Como sempre aconteceu...
Foram dois anos de cegueira face à escola.
Ia lá; trabalhei; cumpria o meu dever...não faltei quase nunca.
Arrastava-me para lá...apenas.
Havia o David.
Só o David contava.
Foram 34 anos de entusiasmo, de alegria mesmo, de investimento naquela minha gente pequena.
Sempre tive o condão de me "apaixonar" pelos meus alunos.
E recebia a dobrar.
Foi boa, muito boa, a minha vida de professora.
Agora, gosto dos meus alunos. São quem dá algum sentido à minha vida profissional.
Sinto-me acarinhada por eles.
Sinto-me acarinhada pelos meus colegas.
A Clementina, coordenadora dos cursos da noite, tem paciência comigo... e com algumas ausências da minha cabeça.
Às vezes, estou longe, longe, nas reuniões de 5ª feira.
Às vezes, assalta-me uma vontade enorme de chorar.
Que vida é esta, que, nem sempre reconheço?
O fogo apagou-se.
Não fiz o que me impus.
Falta de ânimo... de motivação?
Resumo, hoje, o resto das aulas da semana.
Na 4ª feira, dei aulas das 19h às 23h, a duas turmas - EFA4 e EFA7.
Na 5ª, hoje, apenas à EFA4.
Na EFA4 - módulo CIDADANIA - fizeram um teste.
Foi um teste sui generis. Pedira ao alunos, na última aula, que elaborassem, eles próprios (anonimamente), seis perguntas pertinentes e significativas, sobre a matéria abordada e trabalhada nas aulas - Totalitarismo vs Democracia; Portugal antes e depois do 25 de Abril; "Números de Pobreza" no mundo; conceito de Cidadania e Constituição; União Europeia
Eu faria a selecção das perguntas a colocar no teste, para que não houvesse repetições.
Teste com possibilidade de consulta de todos os apontamentos e textos distribuídos.
Expliquei-lhes que seriam eles, colectivamente, a corrigir o teste.
Também lhes pedi que estabelecessem os critérios de correcção que eu devia seguir.
Claro que lhes expliquei ao que me referia, concretamente, quando falava de critérios.
Acordámos 3 critérios.
1º - Certo ou errado quanto ao conteúdo.
2º - Resposta completa ou incompleta.
3º - Correcção sintáctica e ortográfica.
São os que vou seguir.
Hoje, fizemos, então, a correcção colectiva. Já tinham ido verificar qual a resposta correcta.
Foi só escrever, correctamente, a resposta no quadro.
Gostaram.
Disseram-me que tinham apreciado este trabalho, porque não lhes dava a "papinha" feita e os tinha obrigado a pensar, pesquisar e reflectir.
Gostam de desafios.
Também gostei de inovar.
O teste foi apenas um pretexto...para consolidarem o que trabalhámos.
São adultos que trabalham todo o dia e vêm, à noite, com frio e antes de estarem com filhos e família, para a escola fria e desconfortável, porque querem saber mais.
Merecem toda a minha consideração.
Para amenizar o desconforto deste Inverno frio, transporto comigo numa saca a tira-colo, de sala para sala, um aquecedor/ventilador.
Já há seguidores desta minha iniciativa. É que sou muito, muito friorenta.
A EFA4 é uma turma muito dinâmica. Muito heterogénea. Muito interessada por tudo o que lhes possa dizer ou ensinar.
São pessoas alegres e felizes.
Na próxima semana, vamos planificar uma nova temática.
Meio ambiente. Direitos do consumidor. Carta da Terra e sua sustentabilidade. Será decidido em conjunto.
Mais tarde, a partir de Fevereiro, teremos que nos debruçar sobre a questão - Envelhecer com qualidade.
São do curso de Geriatria. E este é o tema de vida delas; espera-se da minha disciplina alguma contribuição.
Deram-me total liberdade na forma como colaborar.
O trabalho final está a cargo da mediadora.
Aceito todas as colaborações e sugestões dos meus amigos de blog.
Até aceito candidatos a uma palestra acessível sobre o tema.
Seria interessante.
Talvez a minha irmã...

Quanto à turma EFA7, na aula de ontem, continuámos a contar algumas histórias.
Esta actividade foi pretexto para falarmos da entoação, dos gestos, da expressão facial, do entusiasmo.
Tudo condimentos para que cada história surta efeito e cative os pequenitos.
Foi também pretexto para analisarmos alguns documentos do ministério, no que diz respeito aos objectivos do ensino pré-escolar.
Neste "capítulo", foi-me muito útil a ajuda vinda de Cascais, da Manuela Baptista, quando me mandou alguns sites. Simples mas eficaz.
São engraçados os alunos desta turma.
Colocam as carteiras encostadinhas à volta da secretária da professora.
E estamos bem, assim - eu, a Felismina (auxiliar numa instituição de apoio a autistas), a Rosa (cozinheira num restaurante), a jovem Diana (com profissão - filha), o Ruben (empregado numa empresa de painéis de aquecimento solar e jovem namorado da jovem Diana), a Lurdes (empregada de hotelaria no restaurante da FEUP), a Maria da Luz (mãe, avó, jovem de espírito, amante de poesia).
Desistiram alguns do ano passado para este porque arranjaram emprego.
Essa é a prioridade e eu compreendo.
Somos pouquinhos...
Mas que interessa a quantidade?
Um destes dias, teremos que nos debruçar sobre a importância da educação parental no comportamento dos filhos.
É o tema de vida desta turma.
Tal como na EFA7, deram-me liberdade na escolha da minha colaboração.
Também, aqui, mais ajudas serão bem-vindas.
Sites, fotografias, palestras...
E aqui me quedo.
Esta noite, encerro a semana.